9.11.05

 

Transmontanos (RPS)

Há uns dias, por aqui, nos comments a este pacífico post, abriram-se duas polémicas. Uma com sentido, sobre a qualidade da escrita e da obra de Miguel Torga, e outra sem sentido, sobre transmontanos. Uma visitante interpretou (erradamente) as palavras de outro como insultuosas para os naturais de Trás-os-Montes.

Quando dizemos, por exemplo, "os ingleses são fleumáticos" ou "os espanhóis são muito festivos" sabemos que esses povos não são uma massa uniforme. Mas sabemos que estamos a dizer algo com algum sentido porque os povos têm idiossincrasias. Vale para os povos de qualquer país e para os povos de qualquer região dentro de um país.
Por exemplo, quando afirmo que "os algarvios são o pior que este país tem", é óbvio que estou a dizer algo verdadeiro, embora eu tenha alguns amigos da região ou filhos de naturais da região que não incluo neste grupo.
Se reflectir um pouco mais, corrijo a afirmação anterior e concluo que "os algarvios são o pior que este país tem, se não contarmos com as pessoas de Coimbra". Por acaso, neste caso não consigo lembrar-me de uma excepção.

A polémica que referi, sobre os transmontanos, fez-me recordar a minha experiência com indígenas dessa região.
Enquanto fui crescendo, sempre ouvi falar da hospitalidade dos transmontanos, do modo único como sabem receber. Um ou outro que fui conhecendo fez-me assimilar essa tese como verdadeira.
Entretanto, numa fase posterior, dei comigo junto de muito transmontanos. Conheci e convivi com muita gente - em Trás-os-Montes e por cá. E mais confirmações obtive - gente boa!

Com o tempo, fui percebendo, contudo, outra realidade. Hospitalidade é o acto de bem receber e partilhar sem segundas intenções, sem procurar qualquer ganho, material ou de qualquer outra ordem. E fui concluindo que a hospitalidade do transmontano não é genuína, não é pura, não é desinteressada.
O transmontano recebe e oferece para mostrar que tem muito, que tem muito mais do que o vizinho ou o parente, que na sua casa não falta nada, que não precisa de ninguém e que todos lhe devem estar gratos e, até, admirá-lo.

Entra-se em casa de um transmontano - principalmente se no seu território - e de imediato enchem-nos a mesa com comida. Oferecem-nos um sem número de iguarias não para que nos deleitemos, mas para que nos impressionemos com a qualidade dos produtos e a fartura daquela casa. E para que não possamos dizer nada deles.
A insistência deles para que a gente coma e beba é exasperante. O maior erro em que o forasteiro pode cair é dizer que não gosta:
- Desculpe, mas não gosto de queijo...
- O quê ???!!! - berra o transmontano - Deste gosta! Gosta de certeza porque queijo deste não encontra por aí, homem!
Ao mesmo tempo, levamos uma palmada nas costas que, se não nos cuidamos, nos atira ao chão. É dada com ar folgazão e prazenteiro, mas representa, de facto, um castigo. O transmontano atira-nos a palmada e pensa: Cabrão! Não gostas? Estás a desdenhar? Então pega lá!

Pior ainda é a oferta de jerupiga. A maioria dos produtos locais tem, claro, qualidade, mas jerupiga... Tal como o vinho de Favaios, o da Madeira e o Moscatel (e ao contrário do Vinho do Porto e de outras bebidas), jerupiga é uma bebida banal. Nada justifica que seja apontada como um néctar especial. Nada? Nada a não ser, claro, o orgulho balofo dos transmontanos. Temos que beber e dizer que é um maravilha, senão eles ficam ofendidos.

E aquilo que é válido para as iguarias é válido para tudo. Numa ocasião, numa terra transmontana, anunciava-se um espectáculo de Marco Paulo, no programa das festividades locais. Assisti a uma cena com um transmontano - bom homem, mas grunho - recusar assistir à festa porque quem deviam convidar era o Roberto Leal que sempre é de Vale da Porca, em Macedo... E acrescentou, convicto, que temos de torcer pelo que é nosso, rematando com a sacramental pergunta: é assim ou não é? É, claro. Convém dar-lhes sempre razão.

Claro que não são todos iguais. Mas estas idiossincrasias transmontanas- acredite quem não conhece - são reais.
Agora, fiquei com saudades de Trás-os-Montes. Volto lá um dia destes.

Comments:
Volta! E de preferência fica por lá, mas num local sem computadores!
 
"Os algarvios são o pior que este país tem se não contarmos com as pessoas de Coimbra"...
Só faria uma pequena adenda: se não contarmos com as pessoas de Coimbra E de Leiria.
 
Caro RPS:

Subscrevo, INTEIRAMENTE, A opinião sobre os transmontanos

E, são de gancho.
Rancorosíssimos.
Umas bestiagas...

Desconfio que o primeiro post...cala-te boca...

Temos que voltar ao GROTTINO para falar disso...
 
Ah, mais uma coisa - a sua amizade quer vassalagem e sob a capa da franqueza, gostam de insultar e espezinhar o próximo....

Nunca conheci, maiores filhos da puta

São os "nossos" cavernícolas
 
O RPS nada percebeu acerca do povo transmontano.
A real razão pela qual gostam de ver o pessoal a comer do melhor que têm (e bom têm) é para ver os amigos embebedarem-se e, também eles, perante as suas mulheres, poderem emborrachar-se sem complexos de culpa...
Alguém que tenha ido a Trás-os-Montes e tenha o mínimo de bom senso pode confirmar que a maior especialidade da região não é o presunto, nem o queijo, nem o pão de centeio ou a alheira e nem mesmo o "parracho", mas sim a cama a rodar ao fim da noite mesmo que apoiemos a patorra (ainda que com a bota calçada) no chão para ver se ela pára...
 
Por acaso de Coimbra conheço excepções, já do Algarve …
 
O pior de Trás-os-Montes devem ser os habitantes de "Soutelinho"!
Estou mesmo a ver-me perguntar a um habitante dessa terra:
-"Boa tarde! Podia-me dizer como se chama este lugar?"
e o energume, a espumar-se da boca e aos saltos vestindo apenas a sua roupa interior responde :
-"Soutelinho"
 
Constantim ha-de ser boa terra porque deu ao mundo Simão Sabrosa.
 
antes de ler o resto:

deves ter cá um puto dum trauma com coimbra... que foi??? prometeream-te "algo" por lá que não tiveste????

porra, já cheira mal essa trip, ainda para mais quando coimbra é "aquela" cidade!!!

chato!
 
oh RPS, desculpa lá! tu podes perceber muito de complexos de esquerda, mas de regiões e das suas gentes não percebes BOLHA!!!

ai o transmontano põe na mesa para mostrar q tem?? não será com o prazer de partilhar o que de melhor tem??
que treta essa de dizer que é para mostrar que tem mais e melhor que o vizinho! quer-te por as coisas na mesa para que comas, para que crescas grande e forte, para que comas coisas boas, que não tem nada a ver com o que comemos nas putas das nossas cidades!
não para dizer que ele é que é, que ele é que tem!

oh, porra! não percebeste NADA de trás-os-montes!

afinei mesmo com esta porra!

pois, vais voltar lá um dia para gozares com eles nas costas ou pensares que murcões são! se vais com esse espirito é melhor não ires. vais ali a braga comer um sarrabulho, é mais perto e não te chateias!


eu tenho lá família e odeio queijo duro! nunca mo enfiaram pela goela abaixo! se digo que não quero não me obrigam a comer, nem a comer para depois ir para deitar pela sanita abaixo e depois dizer que é muito bom.
assim ofenderias mesmo um transmontano, pois se há coisa que eles odeiam é hipocrisia!

"E fui concluindo que a hospitalidade do transmontano não é genuína, não é pura, não é desinteressada."
acabaste de concluir que 4+4=72
 
Ò RPS,

Tu o que precisas é levar com um varapau pelo lombo abaixo... E se calhar até gostavas... Aí e noutras partes... acima!

Abraço Lisboeta
 
É por essas e por outras que defendo a ideia de Saraiva: Abrantes como Capital de Portugal. Assim poderíamos ser todos uns detestáveis provincianos.

Caro RPS, custa-me ver um homem iluminado a fazer “generalizações” idiotas. Nunca me senti mal ou pressionado em nenhum recanto deste país. Só em Lisboa, onde o meu vizinho nunca me deu um queijo.
 
Provocador!
 
Texto demasiado longo para fazer uma análise de merda...bastava uma frase..."sou parvo"
 
Isto não passa de uma provocação para desenvolver uma conversa com uma Transmontana. E mais uma vez a generalizar.

Assinado: A
 
Isto é um post de insulto aos lisboetas. São todos transmontanos...
 
Sem dúvida, as pessoas de Coimbra são piores que os algarvios.
 
Tb me cheira que isto é para meter conversa com alguém.
Abracicos
 
Bem RPS,
Eu não sei bem se concordo contigo.
De um modo geral, a tua visão está correcta, mas não me parece que seja especialmente aplicável a transmontanos. O tratamento que descreves como dado pelos transmontanos aos forasteiros é o que eu recebo na terra da minha sogra, Linhares da Beira (de resto, a coisa não espanta. Se Trás-os-Montes deu Torga, a Beira deu Aquilino. Não sei qual é pior.
Por outro lado, esqueceste-te de uma das principais características dos transmontanos: são suceptíveis, não gostam que não se goste deles. Não perdoam e não compreendem que alguém possa não gostar deles. Basta ler alguns dos comentários anteirores (da autoria quase certa de transmontanos), para ver que é assim. Começam logo a oferecer porrada e a dizer que "Tu o que precisas é levar com um varapau pelo lombo abaixo... E se calhar até gostavas... Aí e noutras partes... acima!".
 
E quem escreveu isso envia abraços lisboetas.
1+1=2, logo lisboeta é transmontano e este post, insisto, é um insulto aos lisboetas!!!
 
Deus me livre.........
 
O RPS não percebe nada, nada, mesmo nada de transmontanos. E há provas.
 
RPS,
Que mauzinho!!!!!!
para mim, e como sempre, a quem lhe serve, que enfie a carapuça. Provalvelmente ate tens razão em algumas coisas, mas não mais do que para qualquer outra região. Os transmontanos não são melhores ou piores do que as pessoas de outras regiões, são apenas... transmontanos. Em todas as regiões ha possoas boas e pessoas mas, porque a nossa humanidade não se verga a condicionalismos regionais.
E gostos- Torga ou Aquilino, Bocage ou Pessoa, Camões ou Shakespeare, Dali ou Matisse, Miguel Angelo ou Picasso- não se discutem. A arte não é uma verdade absoluta. O que diz muito a uma pessoa pode não dizer absolutamente nada a outra. Tem a ver com sensibilidades e modoes de ser. O facto de alguém não gostar de um determinado tipode arte, não quer dizer que ela seja má. Quer dizer que essa arte não comunica com essa pessoa porque a sua sensibilidade se situa num outro plano.
E há quem goste de gerupiga, ou de queijo ou de outras cenas e ha quem não... eu por exemplo, apesar de ser transmontana não aprecio fumeiro. Odeio carne de porco... e o que é que isso tem? Faz de mim uma pessoa má? ou apenas uma pessoa que não gosta de carne de porco?
E também não me importo que as pessoas não gostem de mim e mesmo que mo digam directamente, de preferência frente a frente ( sei que não é o caso, RPS).

Basta-me esperar que as proximas experiencias com transmontanos sejam mais agradáveis... mas lembra-te, para transmontanos, assim como para quaisquer outras pessoas...somos apenas humanos... com defeitos e qualidades. Tudo depende do que decidires dar mais ênfase...

Abracicos!
 
Insisto: é um post contra Lisboa!
 
Eu gosto muito de Trás-os-Montes e dos transmontanos. Alguns é que têm estes tiques. São mais características comuns a muita gente do que propriamente defeitos, cara Rosário.
Provavelmente também se verificam noutros pontos do país que eu não conheço.
Defende o amigo Funes, em conversa telefónica, que são tiques de gerações mais antigas, que, por exemplo, passaram dificuldades, mesmo com a alimentação. Ele terá razão.
Hoje, nas cidades, a afirmação, nas classes altas e também nas médias, passa pelo carro, a casa, o colégio dos filhos, a roupa, o destino de férias... Para outras gerações, que viveram tempos de privação em meios mais isolados, inclusiva privações de comida, a afirmação passa por essa relativa fartura à mesa.

Áos que se sentiram ofendidos, relembro: eu gosto muito de Trás-os-Montes. Em Portugal, só não gosto do Algarve, da Madeira e de Coimbra.
 
Ó moço,
Se bocê gosta de Trás-os-Montes é sempre bem bindo. Apareça aqui por Carrazeda que temos aqui uma gerupiga, como bocê nunca biu outra igual.
Desta bia ber que gosta! Não há outra igual aí pelo Porto.
 
O livro de leitura da 3º clasee, 4ª edição de 1958, da Livraria Sá dfa costa - Editora, que me serviu de instrumento educativo no ano lectivo 1969/70, reza, certeiramente na página 63 e 64, num texto, designado "O Povo português: " O transmontano, habituado a viver entre altas serranias, acostumou-se a contar quase só consigo, e é forte, duro, desembaraçado, independente e hospitaleiro." e " nas serras da da Beira Alta e da Beira Baixa, encontramos um tipo muito parecido com o transmontano"

Daí a afirmação que o sapiente Funes faz - e que eu, modestamente, lhe confirmei, "viva voce"

O próprio Funes bebeu nea citada obra estes nacionais conhecimentos de que ora se faz difusor proficiente

Cptos de Arlindo do Rego
 
VERSÃO EMENDADA

O livro de leitura da 3ª clasee, 4ª edição de 1958, da Livraria Sá da Costa - Editora, que me serviu de instrumento educativo no ano lectivo 1969/70, reza, certeiramente a páginas 63 e 64, num texto, designado "O Povo português: " O transmontano, habituado a viver entre altas serranias, acostumou-se a contar quase só consigo, e é forte, duro, desembaraçado, independente e hospitaleiro." e " nas serras da Beira Alta e da Beira Baixa, encontramos um tipo muito parecido com o transmontano"

Daí a afirmação que o sapiente Funes faz - e que eu, modestamente, lhe confirmei, "viva voce"

O próprio Funes bebeu na citada obra estes nacionais conhecimentos de que ora se faz difusor proficiente

Cptos de Arlindo do Rego

PS - Infelizmente, porque tenho tido pouca sorte com os transmontanos que me caira na lotaria da vida, esquivo-me a confirmar algumas das ruindades que supra se postaram, quiçá por igual causa: malapata...
 
RPS:

Vou fazer copy past do teu post.
Porque não concordo. Porque vou escrever um post a refutar este.
Não antes, sem postar o do Miguel Torga, que devo ao Prof. Funes.
bom fim semana
 
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