28.5.06

 

Do acriticismo e da acefalia enquanto atitudes patrióticas (RPS)

Cito de cor, mas estou certo de que mantenho fidelidade total à ideia expressa há uns dias por Ferreira Fernandes, nas páginas do Correio da Manhã:

Já chega de anúncios com futebol, de bandeiras de futebol, de suplementos sobre futebol. O país que se interesse por aquilo que é de facto importante: o futebol.

Pois é, até eu - que gosto de futebol e de falar sobre futebol com os meus amigos ou outros que gostam da bola - ando enjoado.
Face à publicidade, somos todos impotentes. Não há como dar a volta. Mas o mesmo não se passa com outro tipo de iniciativas, como a recente bandeira das mulheres. É de palhaçadas deste tipo que cada cidadão devia demarcar-se de forma clara.
Estava eu em Londres e recebi mensagens sms (a pagar roming...) de um amigo meu - homem bom, lúcido, inteligente, superior - encantado com as imagens do Jamor. Manifestou-se, até, emocionado, com o hino cantado por Dulce Pontes. Ainda bem que ele estava no Porto. Temi que, caso se encontrasse em Lisboa, rapasse bigode, pelos das pernas e à volta do umbigo e fosse para Oeiras, a fim de participar em tão belo evento.
Na verdade, isto da selecção, esta montagem emocional de cariz patrioteiro-balofo afecta mesmo alguns dos melhores que o país tem.

De volta a Ferreira Fernandes: percebo a ideia deste articulista que admiro, Não concordo sempre com ele, mas escreve bem e com muito sentido de humor. Neste caso, a tese dele faz sentido, mas em tempos de normalidade. O que não é o caso. Ferreira Fernandes propõe-nos que falemos do importante, o futebol. Santa ingenuidade...
Não sabe Ferreira Fernandes que, por estes tempos, não podemos discutir futebol? Não sabe ele que - assim reza o discurso oficial e oficioso - temos que estar todos unidos, em prol de um mesmo objectivo? Os dados estão lançados: as escolhas do sr. Scolari estão feitas, não devemos discordar de nada nem por nada em questão. A selecção do sr. Scolari tem de ser, a partir de agora, a de cada um de nós para ser a de todos nós. Vamos dar as mãos e emocionados torcer pelos srs. Scolari e Madaíl.
A verdadeira atitude patriótica, nesta hora, é a do acriticismo. A da acefalia colectiva.

Não contem comigo.

Comments:
enfimmmm lúcido

jocas maradas
 
opa...o entusiasmo de todos era de tal ordem lá com a cena da bandeira, que uma pessoa até fica intimidada em assumir que acha aquilo uma piroseira de todo o tamanho!!!
uma curiosidade sem interesse nenhum: o Ferreira Fernandes é primo da J. Fernandes.

para quando a visita???hum??
xxx
 
Por issi é que nós lá na padaria não alinhámos nessa piroseira da bandeira, era o que faltava!
 
a verdade que está tudo a borrifar-se para o futebol jogado dentro das 4 linhas (mesmo o futebol da clubice) é provada pelo post que escrevi sobre a atitude do sr Co dispensar o César Peixoto, que teve a fantástica marca de zero comentários.

se falasse mal e porcamente de bandeiras e de casas a parecerem juntas de freguesias ou repartições de finanças ainda tinha um ou outro insulto...

critérios...
 
RPS,
gostei muito do post porque há aquela cena erótica do teu amigo, rapado o bigode, as pernas, as axilas e os arredores do umbigo, ir com as raparigas fazer bandeira...
Não descrevas, muitas vezes, cenários destes, ou ainda te convidam para guionista aí de uma nova novela...
 
Comigo também não!
 
O efeito narcotizante da bola já mete mesmo nojo...Eu tb tou fora!
 
O rácio no Jamor estava bastante favorável.
 
merda de patriotismo bacoco...
não vou na cantiga.
 
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