16.9.05

 

Carrilho Vs. Carmona (MV)

A coisa podia ter sido promovida como um combate de boxe e passar em canal codificado. Nos EUA, qualquer coisa para decidir um título de boxe, desde os pesos-mosca até aos pesados, passa sempre em “pay-per-view” e cada espectador pagará qualquer coisa como 12,95 dólares para ver um combate que tanto pode ser de KO ao primeiro assalto como se prolongar por dez ou mais assaltos. Pode ter sorte e ver alguém a arrancar uma orelha do outro à dentada – foi o que fez Mike Tyson, que agora se sabe ser um fervoroso adepto do Benfica, a uma das orelhas de Evander Hollyfield.

Ontem, não foi ainda o combate do século, porque esse está marcado para daqui a uns meses, com todos os ingredientes de um combate de boxe, reedição de antigas rivalidades, troca de palavras e muito jogo de cintura e de pés. Esses serão os pesados. Daqui a umas semanas, combatem aqueles a que se poderão chamar os pesos-pluma, em várias arenas por todo o país.

Na arena de Lisboa, há um combate interessante. No canto esquerdo, de calções rosa, com grande peso intelectual e estatura de ex-ministro e uma esposa que trabalha na televisão, Manuel “não me chamem Maria” Carrilho. No canto direito, de calções laranja, peso e estatura indeterminados, Carmona “não me chamo Santana Lopes, mas o Frank Gery até é um tipo barato” Rodrigues.

Ontem, na SIC Notícias, cumpriu-se mais um “round”. Não vi o combate na íntegra, vi depois uma selecção dos melhores momentos. Carrilho lançou o uppercut das obras do Parque Mayer, Carmona respondeu com “jab” de direita do preço da casa de banho do Ministério da Cultura. “Tu é que és mais despesista”, dizia um. “Não, tu é que és”, respondia o outro. “Você não tem hábitos democráticos!”, “Tenho sim senhor!”. “Isto é uma calúnia!”, “Você tem falta de carácter!”. Coisa civilizada, portanto.

No final, empate técnico, ou vencedor indeterminado. Depois de um combate tão ordeiro, foi uma surpresa quando Carrilho deixou Carmona de mão estendida quando este se preparava para lhe dar um bacalhau. “Grande ordinário”, murmurou Carmona. “O que interessa são as ideias e isto tem pouca importância”, concordaram os dois lutadores depois do combate. Pois…

Devia haver mais debates assim. Se não houvesse vencedor declarado, calçavam as luvas e faziam valer a força dos punhos. Agora imaginem um debate (combate?) a três entre o Avelino, o Valentim e o Alberto João. Pagava para ver.

Comments:
E a Fátima Felgueiras no meio dos três? era interessante...
 
... e a Sandra Felgueiras? Com os óculozinhos embaciados...
 
Não sei quantas vezes escondi a cara durante o combate. A isto chama-se o quê? Vergonha alheia?

Eis o que foi, sim, um combate clandestino, sem luvas, com apostas e berros pelo meio e dinheiro a correr a jorros. O dvd ilegal do evento será vendido durante a campanha para fazer corar ambos.

Triste país entregue a estes príncipes.

SM
 
Palavras para quê! O exemplo acabado do tipo de engulhos que entope a grande cagadeira que é esta terra.
 
que giro... é apenas um retrato deste país... repara que se fizerem um debate entre candidatos a uma qq junta de freguesia o espirito do debate vai dar ao mesmo, com mais ou menos filosofias ou com mais ou menos vinho!
 
Eu costumava achar grande piada a estas peixeiradas, mas desta vez fiquei apenas... com pena.
Será que estou a ficar velho ou "isto" desceu mesmo de nível?
 
Onde se lê «"isto" desceu mesmo de nível» pode ler-se «esta m**da está toda f***da»
 
A candidatura de Manuel Maria Carrilho e do PS à Câmara de Lisboa tem um problema grave e inultrapassavel- Chama-se Manuel Maria Carrilho.
O.C.
 
Se votasse em Lisboa, jamais votaria PS. Mais: muito provavelmente votaria PSD e Carmona. Detesto o Carrilho.
Mas acho que se está a bater em excesso no Carrilho. Sem razão. Com muito falso moralismo à mistura.
Se tiver pachorra, explicarei num post. Aqui, fica só assim.
 
Nos meus tempos de faculdade, o senhor Carrilho "destruia" corações às jovens de Filosofia, que o achavam o "máximo"...(!) Na Universidade Nova de Lisboa,onde dava aulas, esse "género humano" pavoneava-se pelos pavilhões, à espera que alguem lhe prestassem vassalagem. Não lhe nego a genialidade e o "savoir-faire", mas por amor de Deus!!! A arrogância já lhe nasceu na borda da sua altiva pilosidade e altivez!!! Irra! O homem sempre foi assim, e vai perder muitissimo por ser assim! Perde por ser arrogante, mesquinho, ter a mania que é mais que os outros, e que sabe mais que os outros... Como lisboeta e por pautar-me mais à esquerda, acho que é desta que o PCP do Ruben de Carvalho - gajo porreiro, pois é gordinho, bem disposto e conhece bem Lisboa - vai ter o meu voto! Na pior das hipóteses, o Carmona safa-se por ser educado e um homem que procura a obra para a executar... Já o vi fazer isso!... Ao menos!
 
Que o gajo era um pavão pedante e emproado já se sabia mas agora rude e bronco...?

Abraço da Zona Franca
 
Nem Carrilho, nem Carmona, actores de um péssimo espectáculo. De longe, a minha favorita é a Zezinha, a candidata que quer acabar com os passeios de Calçada Portuguesa, porque são incómodos e estragam os saltos das lisboetas. Para a Zezinha, um símbolo nacional, que é o Calhau, deve estar apenas nas zonas históricas e preso no cimento. Dona de um fino bom gosto, a nossa Zezinha gostaria de olhar para o chão e ver a cor dos portugueses, o cinzento cimento.
 
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